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Como consultar seu SCR no Registrato, passo a passo

O SCR se consulta no Registrato, sistema do Banco Central, pelo Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR). É gratuito. Exige conta gov.br nível prata ou ouro com verificação em duas etapas ativada.

Foto de Uélicon Venancio
Consultor de crédito

Publicado em

O relatório que os bancos consultam sobre você é seu, e sai de graça. O caminho tem quatro passos — e um deles é onde quase todo mundo empaca, sempre pelo mesmo motivo.

Onde se consulta

No Registrato, sistema do próprio Banco Central. Ele reúne vários relatórios sobre a sua vida financeira; o que interessa aqui é o Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR).

Esse direito de acesso não é cortesia: a norma do SCR determina que o Banco Central disponibilize ao titular que solicitar as informações relativas às suas operações de crédito.

Art. 8º — O Banco Central do Brasil, na forma dos procedimentos operacionais que estabelecer, disponibilizará, aos titulares que solicitarem, informações constantes no SCR (…) relativas às suas operações de crédito. — Resolução CMN nº 5.037/2022

O passo a passo

1. Resolva a conta gov.br primeiro

É aqui que a maioria trava. O acesso ao Registrato exige conta gov.br nível prata ou ouro, com verificação em duas etapas habilitada. Conta bronze não entra.

A razão é boa: o relatório traz informação sigilosa sobre a sua vida financeira, e o BC não entrega isso para uma conta que ninguém validou.

Se a sua conta é bronze, o caminho é subir de nível antes — normalmente por reconhecimento facial no aplicativo gov.br, por internet banking de banco credenciado, ou pelos demais caminhos que o próprio gov.br oferece. Tentar entrar no Registrato antes disso só gera a sensação de que “o sistema não funciona”.

2. Entre no Registrato

Pelo site do Banco Central, na área do Meu BC, com a sua conta gov.br.

3. Escolha o relatório certo

O Registrato tem mais de um relatório, e eles respondem perguntas diferentes. O do SCR é o Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR) — é ele que mostra dívidas com bancos e financeiras, saldo devedor, o tipo de operação de crédito e se está em dia ou em atraso.

Escolher o relatório errado e concluir “não tem nada aqui” é engano comum.

4. Leia com data e instituição na mão

O relatório sai na hora, pelo próprio sistema. Ao abrir, anote três coisas de cada linha: qual instituição, qual valor e qual data. É esse trio que permite conferir se está tudo correto — e erro acontece.

O que você vai encontrar ao abrir o PDF

Duas coisas surpreendem quem abre pela primeira vez.

A primeira: ele é longo. O relatório é organizado por mês de referência, e traz vários anos para trás — cada mês repetindo a lista de instituições. Não é um extrato de hoje; é a série histórica. Quem esperava uma página encontra dezenas.

A segunda: as colunas não são as que se imagina. Para cada instituição, o relatório mostra Dívidas (Em dia e Vencida) e Outros compromissos financeiros (Crédito a liberar, Coobrigações e Limites de crédito).

E aqui está a definição que quase ninguém conhece, escrita no próprio relatório:

A dívida “Em dia” se refere à operação não vencida ou vencida há até 14 dias. A dívida “Vencida” se relaciona com operação vencida há mais de 14 dias.

Ou seja: atrasar duas semanas ainda aparece como “em dia” nessa coluna. É uma tolerância que muita gente não sabe que existe — e que explica por que um atraso curto não necessariamente muda o que o banco vê ali.

⚠️ Confira a autenticidade. O rodapé de cada página traz um código, e o Banco Central mantém uma página para validá-lo. Relatório de SCR é documento que às vezes é pedido por terceiros — e circula falsificação.

O detalhe que muda a leitura: o ritmo do SCR mudou

Durante anos a resposta aqui foi simples: o SCR era mensal, ponto. Isso mudou — e é uma mudança recente o bastante para que muito conteúdo pela internet ainda esteja desatualizado.

Hoje a norma prevê dois ritmos de apuração:

Isso está no art. 2º-A da Circular nº 3.870/2017, incluído pela Resolução BCB nº 413/2024. O art. 19-A fixou o início: 1º de novembro de 2025 para a maior parte, e 1º de maio de 2026 para crédito rotativo, cessões, aquisições, assunção de dívida e portabilidade. Ambas as datas já passaram.

Na prática, para você: pagar ou liquidar uma operação é hoje um evento de apuração diária — não algo que espera o fechamento do mês para ser apurado.

Duas ressalvas honestas, porque a diferença importa:

  1. Apuração e envio não são a mesma coisa que o que você vê no relatório. O que a norma disciplina é o dever da instituição de apurar e enviar; a defasagem até o dado aparecer no seu relatório não é fixada por ela.
  2. O SCR continua sendo um registro de histórico, não um extrato ao vivo. Ele guarda posições passadas de propósito — pagar não apaga os meses anteriores.

E o próprio relatório é explícito sobre a espera, com uma orientação prática que vale mais que qualquer interpretação de norma:

O relatório NÃO é atualizado na hora. Se você pagou ou renegociou uma dívida em um mês, aguarde até o final do mês seguinte para emitir um relatório atualizado.

Ele também avisa o que muita gente descobre com susto:

O histórico das dívidas NÃO muda. Elas continuarão aparecendo nos meses em que ficaram em atraso.

Pagar resolve a dívida — não apaga os meses em que ela esteve vencida. Isso não é punição: é o que torna o SCR um registro de histórico, e é também por isso que quem paga em dia há anos tem ali um ativo, não um problema.

Se você acabou de quitar algo e o relatório ainda não reflete, o caminho é aguardar o próximo ciclo e conferir de novo — e, se persistir, tratar como possível erro de registro, pelo caminho abaixo.

Se o dado estiver errado

O caminho não é o Banco Central. A norma é explícita:

Art. 15. As informações constantes no SCR são de exclusiva responsabilidade das instituições remetentes. — Resolução CMN nº 5.037/2022

E o parágrafo único inclui, nessa responsabilidade, as correções e exclusões de informações e o registro de manifestações de discordância. Ou seja: quem corrige é a instituição que informou o dado.

Então a ordem é:

  1. Procure a instituição que registrou a operação e peça a correção.
  2. Registre a discordância, se ela não concordar — a norma obriga a instituição a registrar isso.
  3. Se não resolver, o passo seguinte é a ouvidoria da instituição e, depois, uma reclamação no Banco Central.

O BC administra o sistema e supervisiona; ele não reescreve por conta própria o dado que o banco enviou.

Quem mais pode ver o seu relatório

Você pode compartilhar de propósito. A Central de Autorizações do Registrato permite autorizar pessoas físicas a acessar seus relatórios, escolhendo quais relatórios, por qual prazo — determinado ou indeterminado — e cancelando quando quiser.

Isso é útil quando um contador, um advogado ou um consultor precisa ver o documento. E é diferente da autorização que você dá a um banco para consultar o SCR: são dois regimes distintos, e confundir os dois é um erro comum.

E se você não tem conta gov.br de jeito nenhum

O serviço prevê outros canais além da web — pedido de informação online ou correspondência postal —, mas o próprio BC não estima prazo para eles. Na prática, subir o nível da conta gov.br é o caminho mais rápido para quem quer o relatório hoje.

O que fazer depois de baixar

Ter o PDF é o começo, não o fim. As perguntas que valem a pena a partir dele:

É a diferença entre ver o documento e entender o que ele diz sobre você.

Onde este texto para. Tudo aqui explica como o mecanismo funciona — e vale para qualquer pessoa. O que nenhum artigo consegue dizer écomo está o seu caso: quais operações constam no seu SCR, quem consultou seu CPF e o que, especificamente, pesou contra você.

Isso não é opinião nem estimativa. Está no seu relatório — e é preciso lê-lo.

Perguntas frequentes

Consultar o SCR é gratuito?

Sim. O Banco Central informa que o serviço é gratuito ao usuário, e o atendimento pela web é imediato.

Preciso de qual conta gov.br?

Nível prata ou ouro, com a verificação em duas etapas habilitada. Conta bronze não abre o Registrato, porque os relatórios contêm informação sigilosa.

Consultar meu próprio SCR prejudica meu crédito?

Não. O acesso do titular aos próprios dados é um direito previsto na norma do SCR, e não é uma consulta de instituição financeira avaliando proposta de crédito.

Posso autorizar outra pessoa a ver meu relatório?

Sim, pela Central de Autorizações do Registrato. Você autoriza pessoas físicas, escolhe quais relatórios compartilhar, define o prazo e pode cancelar depois.

O relatório sai na hora?

Pelo canal web, o atendimento é imediato. O relatório aparece no próprio sistema depois do login com a conta gov.br.

Paguei uma dívida. Quando isso aparece no SCR?

A norma passou a exigir apuração diária dos eventos que alteram o saldo devedor, como pagamentos e liquidações, além da apuração mensal do conjunto. O que a norma não fixa é a defasagem até o dado aparecer no seu relatório.

Fontes

  1. Banco Central — Registrato (Meu BC)
  2. gov.br — Emitir Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR)
  3. gov.br — Gerenciar acessos aos relatórios do Registrato na Central de autorizações
  4. Banco Central — Resolução CMN nº 5.037, de 29/09/2022 (arts. 8º e 15)
  5. Banco Central — Circular nº 3.870/2017, texto vigente (arts. 2º-A e 19-A: apuração mensal e diária)

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